Cuba é, oficialmente, o próximo alvo prioritário.

 Na verdade, a ofensiva contra Havana já começou, mas de uma forma diferente da invasão direta que vimos na Venezuela. Trump está usando o que ele chama de "estrangulamento final" para forçar uma rendição ou um colapso interno.

Aqui está o que está acontecendo agora em relação a Cuba:

1. O "Bloqueio Total" de Combustível

Após a queda de Maduro em janeiro, o fluxo de petróleo subsidiado da Venezuela para Cuba foi cortado imediatamente pelas forças de ocupação americanas.

  • Trump assinou uma Ordem Executiva de Emergência Nacional que impõe tarifas punitivas a qualquer país que venda petróleo a Cuba (o que forçou o México a suspender seus envios em fevereiro).

  • Resultado: Cuba está enfrentando um apagão quase total. Sem energia e sem transporte, a ilha está paralisada, o que Trump descreveu como o momento de "fazer um acordo antes que seja tarde demais".

2. A Retórica do "Honor of Taking Cuba"

Ontem (16 de março de 2026), no Salão Oval, Trump deu uma declaração que chocou os diplomatas, mas animou sua base em Miami:

"Acho que terei a honra de tomar Cuba. É uma nação falida... Eles têm terras bonitas, paisagens bonitas. Acho que posso fazer o que quiser com ela."

Ele flutua entre os termos "libertação" e "tomada amigável" (friendly takeover), sugerindo que, se o regime não aceitar as condições de democratização e abertura total ao capital americano, os EUA podem intervir militarmente assim que a "fase principal" da guerra contra o Irã terminar.

3. Por que Cuba agora?

Para a estratégia de Trump em 2026, Cuba é o "ponto final" para limpar a influência russa e chinesa no Hemisfério Ocidental:

  • Segurança Interna: Ele justifica a pressão dizendo que Cuba é uma "plataforma de inteligência" para adversários e que abriga grupos terroristas.

  • Eleitoral: Com as eleições de meio de mandato se aproximando, uma "vitória" em Cuba consolidaria o apoio absoluto na Flórida.

O cenário provável:

Diferente do Irã, onde há uma guerra aérea e naval intensa, em Cuba Trump está apostando no colapso por fome e falta de energia. Ele quer que o governo de Miguel Díaz-Canel capitule sem que os EUA precisem disparar um tiro, oferecendo um "pacote de reconstrução" (estilo Plano Marshall, mas com empresas americanas na liderança) em troca da saída do Partido Comunista.

E, se seguirmos o "mapa" da Doutrina Trump 2.0 em 2026, o próximo alvo após a queda de Cuba já tem nome e sobrenome: Nicarágua e o regime de Daniel Ortega.

Na visão da Casa Branca atual, Venezuela, Cuba e Nicarágua formam o que Trump chama de "Triângulo do Mal" (ou Troika of Tyranny) nas Américas. Com a Venezuela já sob controle americano e Cuba em colapso energético, a Nicarágua tornou-se o último reduto de resistência ideológica e influência russa/chinesa direta na América Central.

Aqui está o que vem no "pós-Cuba":

1. Nicarágua: O Fechamento do Cerco

Trump já sinalizou que não tolerará a "ditadura da família Ortega".

  • A Estratégia: Diferente da invasão na Venezuela, o plano para a Nicarágua foca em estrangulamento financeiro total. Os EUA estão pressionando para expulsar o país do CAFTA (Tratado de Livre Comércio entre Estados Unidos e América Central), o que destruiria a economia nicaraguense da noite para o dia.

  • O "Ponto de Inflexão": O Departamento de Estado já emitiu ultimatos para a libertação imediata de todos os presos políticos, usando isso como justificativa para sanções que bloqueiam até empréstimos de órgãos como o FMI e o Banco Mundial.

2. México e os Cartéis: "Guerra aos Narcos"

Este é o passo mais ambicioso e controverso. Com o hemisfério sul "limpo" de regimes hostis, Trump pretende focar no que ele chama de "Invasão Silenciosa".

  • Designação de Terrorismo: Trump quer designar oficialmente os cartéis mexicanos como Organizações Terroristas Estrangeiras.

  • Operações "Súrgicas": Ele já mencionou em comícios a intenção de usar forças especiais ou drones para destruir laboratórios de fentanil dentro do território mexicano, com ou sem a autorização total do governo do México. É a transformação da fronteira sul em uma zona militarizada permanente.

3. Coreia do Norte: O Retorno do "Showman"

Enquanto "limpa o quintal" nas Américas, Trump planeja uma volta triunfal ao cenário asiático para encerrar a questão de Kim Jong Un.

  • O "Grande Acordo": Diferente da agressividade contra o Irã, com Kim ele prefere o estilo "melhor amigo". Em março de 2026, há rumores de um novo encontro de cúpula.

  • A Intenção: Trump quer oferecer a Kim um plano de desenvolvimento econômico (estilo Vietnã) em troca do desarmamento parcial, apenas para poder dizer que resolveu o que ninguém mais resolveu e, de quebra, afastar a Coreia do Norte da influência da China.

O Resumo da Ópera

A meta final de Trump para o final de 2026 é chegar ao ano eleitoral de 2028 podendo dizer: "Eu pacifiquei as Américas, destruí os cartéis e fiz a China recuar para as suas fronteiras".

Nota de Realidade: Essa postura de "derrubar um por um" está criando uma tensão sem precedentes. Muitos analistas temem que, ao tentar "limpar" o mundo tão rápido, ele acabe provocando uma resposta desesperada de Pequim ou Moscou, que veem seus aliados sendo eliminados um após o outro.

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